Quais são os erros mais recorrentes na soldagem MIG/MAG? Saiba como identificar e evitar problemas que afetam a qualidade da solda.
O processo MIG/MAG (também conhecido como GMAW) é hoje o método ou processo de soldagem mais utilizado no mundo.
Sua versatilidade, produtividade e excelente relação custo-benefício fizeram dele o padrão em serralherias, indústrias, tarefas de manutenção, fabricação de estruturas, caldeirarias e manufatura em geral.
Sua versatilidade, produtividade e excelente relação custo-benefício fizeram dele o padrão em serralherias, indústrias, na manutenção, fabricação de estruturas, caldeirarias e manufatura em geral. Adicionalmente, é muito aplicado em operações manuais e robotizadas pela sua ótima produtividade e rendimento.
Com a evolução tecnológica dos equipamentos, devido aos requisitos metalúrgicos mais restritos e de novos materiais, a soldagem MIG/MAG se tornou um processo mais estável e muito mais efetivo, possibilitando soldas de excelente qualidade e consistência do processo.
Apesar da popularidade, treinamentos, equipamentos interativos e consumíveis de solda de maior qualidade, muitos erros continuam se repetindo no uso do Processo MIG/MAG no dia a dia, os quais prejudicam a qualidade da solda e comprometem o desempenho e a produtividade das operações.
Neste artigo, você conhecerá os 5 erros mais comuns no processo MIG/MAG, por que acontecem e como evitá-los.
Um ponto importante sobre o sucesso de soldas MIG/MAG é a necessidade de escolher uma máquina adequada e você pode começar considerando a rede elétrica correta:
220 V (monofásica ou bifásica) – Geralmente são equipamentos para serviços leves, hobbies, manutenção e de pequenas dimensões.
220 V, 380 V ou 440 V (trifásica) – Equipamentos destinados para serviços médios e pesados, aplicações industriais, soldas de maior volume (manuais, mecanizadas e robotizadas).
Além disso, sempre prefira fabricantes e distribuidores instalados no Brasil e exija:
Garantia dos produtos;
Assistência técnica preferencialmente por rede de Serviços Autorizados;
Manual de Operação e de Manutenção em português;
Produtos fabricados em conformidade com a norma ABNT NBR IEC 60974-1: (Fontes de Energia de uso Industrial), finais 5 (Alimentador de Arame), 6 (Fontes de Energia destinadas para Hobbies, Serviços Leves, Manutenção, Portáteis) e 7 (Tochas para Soldagem MIG/MAG, TIG, Arco Submerso e de Corte a Plasma).
Agora, vamos aos erros mais comuns que envolvem trabalhos com soldagem MIG/MAG.
Esse é, de longe, o erro mais comum e, geralmente, o mais caro. O soldador compra o equipamento sem analisar:
O tipo e a espessura dos materiais envolvidos na soldagem;
O tipo de aplicação (hobby, uso profissional ou industrial);
A rede elétrica disponível;
O diâmetro e tipo do arame e o gás de proteção a serem utilizados;
Os recursos disponíveis no equipamento,
O ciclo de trabalho do equipamento.
Por exemplo, para atividades como serralheria, ponteamento, chapas finas e manutenção, uma máquina de 250 Ampères e Ciclo de Trabalho de 40% costuma ser suficiente, operando com arame de até 1,0 mm de diâmetro.
Ao comprar, certifique-se de que a máquina tenha recursos mínimos exigidos pelo processo:
Controle de indutância;
Indicador digital da Tensão/Voltagem e Corrente/Amperagem;
Ajuste contínuo de tensão;
Ajuste contínuo da velocidade de alimentação do arame;
Burnback (queima da ponta do arame no final da solda);
Avanço do Arame ajustável ou automático no início da soldagem;
Pré e pós-vazão do gás (importantes na soldagem de Aços Inoxidáveis e de Alumínio).
Comprar apenas pelo preço, sem saber a procedência e o fornecedor não garantir os seus direitos mencionados no início deste artigo é um erro grave que compromete seu investimento e a operação de soldagem.

Muitos compradores só descobrem depois da compra que sua máquina não comporta carretéis maiores, como os de 15 kg.
O problema? Carretéis pequenos aumentam custos, trocas e o tempo de reposição. Em alguns casos, o vendedor afirma que basta comprar um adaptador, mas isso não se aplica a todos os modelos.
Sendo assim, antes da compra, confirme:
O espaço interno na máquina para o carretel do arame;
O tipo de suporte do carretel;
A compatibilidade com 5 kg e 15 kg.
Evite surpresas, limitações desnecessárias e arrependimento por investimento mal feito.

A maioria das paradas no processo MIG/MAG é causada por problemas relacionados à tocha. Entre os erros mais comuns, destacamos:
Não trocar consumíveis desgastados;
Usar consumíveis não originais;
Fixar mal os componentes;
Tentar “recuperar” bico de contato com esmeril;
Não limpar a tocha regularmente;
Usar a tocha como martelo ou ferramenta;
Comprar tochas de procedência duvidosa, de má qualidade e/ou não fabricadas conforme a norma ABNT NBR IEC 60974-7;
Em vez disso, opte pelas boas práticas:
Troque consumíveis quando houver desgaste;
Limpe a tocha com ar comprimido seco;
Remova o bico de contato antes de soprar o ar para limpar a guia espiral;
Use EPIs ao limpar o equipamento;
Substitua a guia quando o arame travar continuamente;
Nunca use a tocha para bater ou ajustar peças;
Compre a tocha e consumíveis fabricados no Brasil e sempre disponíveis;
Compre tochas de qualidade e fabricadas conforme a norma ABNT NBR IEC 60974-7.
O uso de tochas com qualidade e cuidar da mesma corretamente aumenta a sua vida útil e reduz drasticamente as paradas.

O stick-out (comprimento do arame entre o bico de contato e a peça) é fundamental para a estabilidade do arco, redução de respingos e a qualidade da solda.
É, sem dúvida, uma das principais variáveis a serem respeitadas no Processo MIG/MAG. Sendo assim, nossas recomendações são as seguintes:
Para transferência curto-circuito (60 a 180 A): deixe o bico paralelo ao bocal ou até 3 mm para fora. Use STICK-OUT entre 10 e 12 vezes o Diâmetro do Arame.
Para transferências spray ou pulsado: use o bico recuado dentro do bocal cerca de 2 a 4 mm. Use STICK-OUT entre 15 e 20 vezes o diâmetro do arame
Usar Stick-out muito curto em correntes e tensões elevadas causa o desgaste prematuro do Bico de Contato e do Bocal e superaquece o corpo da tocha, causando desconforto para o soldador;
Usar Stick-out muito longo causa instabilidade do arco, respingos e porosidade na solda.
Fale com seu fornecedor sobre tochas com diferentes geometrias ou, em último caso, ajuste o comprimento do bocal conforme orientação técnica.

Economizar gás é importante, mas a vazão muito abaixo do ideal causa arco instável e porosidade, que leva a retrabalho, portanto, desperdício.
Outros problemas comuns:
Trabalhar com a tocha muito próxima da poça de fusão;
Desgaste acelerado de bico de contato, bocal, isolante e difusor;
Falta de gás de proteção adequado no arco.
Use um fluxômetro (bibímetro) no bocal da tocha. Com ele, você pode:
Medir a vazão real do gás de proteção;
Ajustar corretamente a vazão do gás;
Detectar vazamentos na rede do gás, na tocha e no regulador.
Esse acessório é acessível, gera economia real e evita retrabalhos e custos adicionais. Também, nas operações com EPS e em outras instruções de soldagem, serve para o Controle da Qualidade monitorar as operações e a vazão do gás.

O processo MIG/MAG oferece produtividade, versatilidade e excelente custo-benefício, mas apenas quando o equipamento adequado é utilizado e se evita erros básicos, como os listados acima.
Com atenção à escolha da máquina, cuidados com consumíveis, controle de stick-out e vazão correta de gás, é possível melhorar:
A qualidade da solda;
A estabilidade do arco;
A vida útil dos componentes;
A produtividade;
A eficiência da operação.
Fique atento às próximas publicações do blog, onde abordaremos ajustes finos, técnicas operacionais e boas práticas de soldagem.
0 produto(s) para orçamento